O Reino Espiritual Na Bíblia

O REINO ESPIRITUAL, relacionado ao reino universal de Deus, é composto pelos eleitos de todas as eras que experimentaram novo nascimento pelo poder do Espírito Santo. Não se pode entrar nesse reino senão por tal nascimento. Ele é mencionado em:

Mateus 6.33: Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.

Mateus 19.16,23,24: E eis que, aproximando-se dele um jovem, disse-lhe: Bom Mestre, que bem farei para conseguir a vida eterna? (...) Disse então Jesus aos seus discípulos: Em verdade vos digo que é difícil entrar um rico no reino dos céus. (...) E, outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.

João 3.3-5: Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.

Atos 8.12: Mas, como cressem em Filipe, que lhes pregava acerca do reino de Deus, e do nome de Jesus Cristo, se batizavam, tanto homens como mulheres.

Atos 14.22: Confirmando os ânimos dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, pois que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus.

Atos 19.8: E, entrando na sinagoga, falou ousadamente por espaço de três meses, disputando e persuadindo-os acerca do reino de Deus.

Atos 20.25: E agora, na verdade, sei que todos vós, por quem passei pregando o reino de Deus, não vereis mais o meu rosto.

Atos 28.23: E, havendo-lhe eles assinalado um dia, muitos foram ter com ele à pousada, aos quais declarava com bom testemunho o reino de Deus, e procurava persuadi-los à fé em Jesus, tanto pela lei de Moisés como pelos profetas, desde a manhã até à tarde.

Romanos 14.17: Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.

1ª Coríntios 4.20: Porque o reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder.

1ª Coríntios 6.9,10: Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus.

1ª Coríntios 15.50: E agora digo isto, irmãos: que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção.

Gálatas 5.21: Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.

Efésios 5.5: Porque bem sabeis isto: que nenhum devasso, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus.

Colossenses 4.11: E Jesus, chamado Justo; os quais são da circuncisão; são estes unicamente os meus cooperadores no reino de Deus; e para mim têm sido consolação.

1ª Tessalonicenses 2.12: Para que vos conduzísseis dignamente para com Deus, que vos chama para o seu reino e glória.

2ª Tessalonicenses 1.5: Prova clara do justo juízo de Deus, para que sejais havidos por dignos do reino de Deus, pelo qual também padeceis;




Referência bibliográfica: Manual de Escatologia – J. Dwight Pentecost, pág. 169

Julio Celestino
Vitória - Espírito Santo

A Triste Alegria de Pecar


 
“Nada é errado se te faz feliz”

          Algumas páginas da internet atribuem a autoria dessa frase ao ilustre Bob Marley, que no passado protagonizou uma carreira artística de enorme sucesso. Fato é que a alegria proveniente do pecado realmente existe, e é prazerosa para a carne; porém, seu resultado desastroso é tão certo quanto aquela ressaca que desperta com você pela manhã dizendo: “é hora de trabalhar.”

    Nas festas de réveillon do Estado do Espírito Santo, por exemplo, é comum ver jovens e adultos reunidos com amigos, festejando e se embriagando pelas ruas ou em eventos particulares. Os momentos — eu sei — são alegres e prazerosos, porque as obras da carne seguem a todo vapor nesses ambientes.


E o apóstolo Paulo descreve claramente algumas delas em Gálatas 5.19ss:


Prostituição

Ato ou efeito de prostituir-se; entregar-se à devassidão; desmoralizar; corromper. [1]


A prostituição se tornou uma cultura dominante não apenas no Espírito Santo, mas em todo o Brasil. O famoso “ficar” — relações sexuais sem qualquer compromisso conjugal — é incentivado pelas músicas de Funk, Axé, Pagode, Sertanejo e outros ritmos populares que tocam no rádio para crianças, jovens e adultos.

    Com a tecnologia, tudo isso avançou ainda mais: aplicativos de relacionamentos funcionam como verdadeiros “menus” de homens e mulheres. Basta escolher, conversar, encontrar, relacionar-se… e repetir o ciclo no dia seguinte. O velho paradigma da pessoa sexualmente devassa se tornou obsoleto. A liberdade sexual promovida pela mídia transformou o sexo sem compromisso em uma via de fácil acesso para todos.


Impureza


Qualidade do que é impuro; o que perturba a pureza; corrupção sexual. [2]


Hoje, dizer que o ato sexual é reservado para marido e mulher é motivo de piada em uma mesa de bar. E afirmar que o sexo foi criado para o prazer mútuo entre homem e mulher, exclusivamente dentro do casamento, pode até ser considerado um “crime” (homofobia) na visão distorcida da pós-modernidade.


    Casas de swing expõem a impureza conjugal às claras, com casais trocando parceiros como quem troca figurinhas.


    Além disso, a crescente pluralidade de identidades sexuais — Crossdresser, Drag Queen, Drag King, Pansexual, Transexual e tantas outras — reforça meticulosamente o sentido bíblico de impureza: alterar aquilo que Deus estabeleceu. Na sociedade atual, tudo isso é chamado de normal. Tudo é relativo.


Lascívia


Conduta vergonhosa, sensualidade, libertinagem, luxúria (Mc 7.22; Gl 5.19). [3]


Assim como as obras citadas acima, a lascívia governa a nossa sociedade. Basta sair às ruas: o apelo sensual é gritante. Milhões de mulheres — de todas as idades — usam shorts, saias e vestidos curtíssimos, decotes profundos e todo tipo de vestimenta que exalta a sensualidade.


As justificativas são conhecidas:


“Uso porque me sinto bem.”
“Uso porque é confortável.”


Mas sabemos que, na maioria das vezes, essa não é a real motivação.


    Nas redes sociais, a sensualidade recebeu palco e iluminação. Buscando elogios, prestígio e status, muitas mulheres expõem seus corpos para acumular curtidas e visualizações. Talvez isso fosse apenas um problema moral, se não fosse o fato de muitas dessas mulheres serem menores de idade. Pense nisso.



O PECADO DÁ PRAZER E NÃO DÓI NA HORA


A história de Davi em 2 Samuel 11 exemplifica isso perfeitamente.


    Num dia em que deveria estar em guerra, Davi ficou em casa. Do alto do palácio viu Bate-Seba tomando banho. Mesmo sabendo que ela era esposa de Urias — seu servo leal — Davi enviou mensageiros, trouxe a mulher e adulterou com ela. Ele a engravidou. E, para encobrir o adultério, planejou a morte de Urias.


    Enquanto estavam juntos na cama, a alegria temporária estava presente. O prazer carnal foi intenso. Mas as consequências foram devastadoras:



1. VERGONHA — DEUS REVELA O PECADO


    Não há nada pior para um pecador do que ter seu pecado oculto exposto à luz. A vergonha pública é dolorosa. Deus não permite que pecados ocultos permaneçam escondidos para sempre.


    Davi também experimentou vergonha quando soube que seu filho Absalão se deitava com suas mulheres, diante de todo o povo (2Sm 16.21-22).



2. DESORDEM FAMILIAR — UM ABISMO CHAMA OUTRO ABISMO


A família de Davi mergulhou em tribulações:


  • seu filho com Bate-Seba morreu (2Sm 12.15-23);

  • Amnon violentou sua irmã Tamar (2Sm 13.1-14);

  • Absalão matou Amnon para vingar Tamar (2Sm 13.23-29).


Como bem disse o comentarista:


“Quando não vivemos uma vida digna do Deus a quem servimos, a primeira atingida é a nossa família… Seremos para nossos filhos exemplos para o bem ou para o mal.” [4]



 

AS CONSEQUÊNCIAS ATUAIS DO PRAZER PECAMINOSO


Uma pessoa não guiada pelo Espírito Santo é facilmente arrastada pelas obras da carne. O fruto disso é:


  • 1 - Casamentos desfeitos

  • 2- Famílias destruídas

  • 3 - Adultério

  • 4 - Suicídio

  • 5 - Depressão

  • 6 - Gravidez indesejada

  • 7 - Homicídios

  • 8 - Doenças sexualmente transmissíveis

  • 9 - Traumas emocionais

  • 10 - Morte espiritual



Toda alegria do pecado termina em dor, vergonha e destruição. 


    Por isso clamo a Deus por um avivamento pessoal no Espírito Santo — começando por mim. Se eu realmente tivesse o “livre-arbítrio” que muitos defendem, eu escolheria jamais pecar. E encorajaria meus entes queridos a serem “espertos” como eu. Mas toda honra e glória pertencem ao Senhor.

    Que sejamos lavados no sangue de Jesus, perdoados de nossas iniquidades e preservados do dia da ira. Que busquemos ao Senhor enquanto se pode achar, e o invoquemos enquanto está perto, pois na sepultura não há esperança para os condenados.



UMA ANTIGA CANÇÃO QUE AINDA DESCREVE A REALIDADE



“Eu comparo a vida do homem sem Deus,
Como uma folha seca caída no chão.


Que vai para onde o vento levar,
Tudo é tristeza, tudo é solidão


Seu viver é triste, tão cheio de dor,
Seus dias turbados, sem consolação


Assim é a vida do homem sem Deus,
É uma folha seca caída no chão.”


— Jair Pires



    A folha seca é levada pelo vento sem direção nem destino. Mas o crente em Cristo tem um alvo. E é para Ele que devemos caminhar — só assim encontraremos a plena, verdadeira e desejada felicidade.


“Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” — Filipenses 3.14






Referências bibliográficas:

[1] Novo Dicionário Eletrônico Aurélio v5.0 para Windows.
[2] Dicionário e Estudos Bíblico org. Claudemir Pedroso da Silva, Editora PAE.
[3] Ibid.
[4] http://www.ibvir.com.br/sermoes/davi_consequencias_do_pecado_de.htm

Palavras também matam - Mateus 5.22

foto de Jcomp


JESUS E O ASSASSÍNIO
AQUELE QUE LHE DISSER: TOLO, SERÁ RÉU DO FOGO DO INFERNO

MATEUS 5.22

Dia 20/02/2017, estudávamos o livro dos Provérbios; e o tema central da apresentação era o provérbio 1.7 que reza a seguinte afirmação: “O temor do SENHOR é o princípio do conhecimento; os loucos desprezam a sabedoria e a instrução”. Uma aparente contradição, quando lemos a afirmação de Jesus em Mateus 5.22 que diz: “...E aquele que lhe disser: Tolo, será réu do fogo do inferno”. Então eis a dúvida: se uma pessoa chamar alguém de tolo, insensato ou louco ela perderá a salvação?

Não é somente no evangelho de Mateus 5.22 que esta linguagem é usada, mas também em várias outras passagens do Novo Testamento, por exemplo:

(obs: foram usados apenas os exemplos da palavra grega usada em Mt 5.22 para “tolo”, a saber, “moros” ou “moré”.)

Mateus 7.26: E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia;

Mateus 23.17: Insensatos e cegos! Pois qual é maior: o ouro, ou o templo, que santifica o ouro?

Mateus 25.2: E cinco delas eram prudentes, e cinco loucas.

1ª Coríntios 1.27: Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes;

2ª Timóteo 2.23: E rejeita as questões loucas, e sem instrução, sabendo que produzem contendas.

Tito 3.9: Mas não entres em questões loucas, genealogias e contendas, e nos debates acerca da lei; porque são coisas inúteis e vãs.


Assassínio - A mensagem de Mateus 5.21-22

Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo.

Nesta passagem Jesus está ensinando uma importante lição acerca do sexto mandamento (não matarás). Ele disse “ouviste” porque a maioria das pessoas que estavam presentes ali no que é chamado de Sermão do Monte não sabiam ler, e ainda que alguns soubessem, as escrituras não eram acessíveis para o povo comum. Portanto, o povo conhecia as Escrituras de ouvido, devido à leitura feita nas sinagogas nos dias de sábado e à exposição feita pelos escribas.

Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno.

“Raca” é uma palavra de desdém, que se origina no orgulho. “Zombador é o teu nome”, é como Salomão chama aqueles que tratam com indignação e soberba (Pv 21.24), que desdenham do irmão para equipara-lo ais cães que possuem.

“Louco” (aqui, moré do gr. μωρέ) é uma palavra de rancor, que nasce do ódio; considerando a pessoa não somente comum e indigna de ser honrada, mas como uma pessoa odiosa e indigna de ser amada; “Tu, homem iníquo, réprobo”.

Concordo com Metthew Henry quando ele afirma que Jesus lhes diz que o uso de uma linguagem ultrajante com nosso irmão é o assassinato pela língua (chama-lo de Raca, e chama-lo de louco). Quando isto é feito com moderação e com uma boa finalidade, para convencer os outros da sua vaidade e das suas tolices, não é pecaminoso. Assim, Tiago diz: “Ó homem vão” (Tg 2.20), e Paulo diz: “Insensato” (1Co 15.36), e o próprio Cristo diz: “Ó néscios e tardos de coração” (Lc 24.25). Mas quando isto nasce da maldade e da ira interior; é a fumaça daquele fogo que arde no inferno, e se enquadra na mesma característica.

Em suma, para Jesus a atitude de ira contra um irmão é crime sério; tão sério que merece o mesmo castigo imposto ao assassínio, pois as palavras amargas são como flechas que matam repentinamente (Sl 64.3). Aquele que se encolerizar com seu irmão está correndo o risco do juízo de Deus; aquele que o chama de Raca estará nas mãos do conselho, passível de ser punido pelo Sinédrio por insultar um israelita; mas aquele que disser: “Louco, pessoa profana, filho do inferno”, estará em perigo do fogo do inferno, para o qual ele condena o seu irmão. Portanto, em caso de ira contra o irmão, procure sempre uma reconciliação, pois o amor e a caridade é o ápice da vida do homem e da mulher que está em Cristo. Jesus finaliza dizendo:

Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, Deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão e, depois, vem e apresenta a tua oferta.

Mateus 5.23-24.





Julio Celestino
Vitória - Espírito Santo

Referências bibliográficas:

Bíblia João Ferreira de Almeida Fiel
Dicionário Strong
Comentário Bíblico Matthew Henry CPAD vol.1 págs. 52,53 – Matthew Henry
O Novo Testamento Interpretado vol.1 págs. 310,311 – Russel N. Champlim




23/02/2017

O que acontece depois da morte?


            Decidi pôr este diagrama em pauta devido a um problema que vem crescendo entre ouvintes pentecostais e reformados de Vitória/ES que passaram a acompanhar a rádio Novo Tempo (suspeito que por falta de opção). A emissora, como se sabe, é um órgão da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Todos os dias, nesse meio de comunicação, é ensinado que nós somos uma alma e que, quando alguém morre, simplesmente “dorme”, entrando em um estado de inconsciência semelhante ao estado anterior ao próprio nascimento.

    Segundo essa doutrina, a pessoa que dorme só despertará quando Jesus voltar. Depois disso, os salvos viverão eternamente, enquanto os condenados sofrerão por um determinado período de tempo (?) e, em seguida, deixarão de existir — desta vez, de forma definitiva e eterna.


    Concordo com R. C. Sproul quando ele afirma que o sono da alma representa um afastamento do cristianismo ortodoxo. Ele observa, entretanto, que essa visão ainda permanece como uma minoria firmemente entrincheirada dentro do meio cristão. A visão tradicional da igreja é conhecida como estado intermediário. Este ponto de vista ensina que, na morte, a alma do crente vai imediatamente para a presença de Cristo e experimenta uma existência pessoal, contínua e consciente, enquanto aguarda a ressurreição final do corpo. [1]


Esse estado intermediário é um ensinamento bíblico, ortodoxo e fiel — sustentado pelos mais antigos pais da igreja e confirmado pelos reformadores do século XVI.




Castelo Fraco - O que você quer na Igreja?


“Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará; porque Deus, o Pai, o confirmou com o seu selo.” – João 6.27

 

    Uma multidão! Segundo o texto paralelo de Mateus 14.21, cerca de cinco mil homens — sem contar mulheres e crianças — seguiram Jesus quando Ele se retirou num barco para um lugar deserto, logo após o assassinato de seu primo João Batista por ordem do rei Herodes. Ao contemplar aquela massa de pessoas, Jesus compadeceu-se, curou-os e alimentou-os.


Naquele lugar deserto estavam presentes:


  • a) Jesus Cristo

  • b) Os 12 discípulos

  • c) Uma multidão


    Essa cena me chama atenção por revelar uma quantidade enorme de pessoas que deixaram suas cidades, a pé, apenas para ir ao encontro de Cristo. O motivo desse êxodo em massa é revelado pelo próprio Jesus em João 6.26:


“... vós me procurais, não porque vistes os sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes.”


Havia, portanto, dois grupos distintos presentes na multiplicação dos pães e dos peixes:


  1. A multidão, movida pelas curas e, em seguida, pelo alimento.

  2. Os 12 discípulos, que estavam ali porque foram chamados por Cristo.



    Esse pequeno grupo de doze representa a Igreja. Eles aceitaram o chamado de Cristo e o seguiram para se tornarem pescadores de homens. Essa é a diferença essencial: eles buscaram primeiro o Abençoador, não as bênçãos.


    É triste perceber que, ainda hoje, muitos homens e mulheres percorrem grandes distâncias atrás de denominações que prometem cura, quebra de maldição hereditária, objetos ungidos, campanhas de milagres e todo tipo de espetáculo religioso. Deus, em sua compaixão (Mt 14.14), ainda realiza milagres — e a alegria da bênção recebida faz a multidão cantar vitória com gosto de mel.


Mas o evangelho não nos chamou para sermos estrelas, e sim para sermos fiéis; não me chamou para brilhar no palco, mas para que o filho de Adão morra.


    Quando Jesus pregou a verdade do evangelho de forma clara, contundente e pura, a reação foi imediata:


“Muitos dos seus discípulos voltaram atrás e não andaram mais com Ele” - João 6.66


    Esse é o grande grupo da multidão ambiciosa — aqueles que desejam a bênção, mas rejeitam o Abençoador. Eles lotam as igrejas dos falsos apóstolos modernos e dos teólogos da prosperidade, alimentando-se de heresias grotescas e aplaudindo o evangelho antropocêntrico, onde o homem é o centro.


    Já uma assembleia bíblica e cristocêntrica — onde Cristo é o centro — não serve para esse tipo de público. Seus membros são logo apelidados de frios, fariseus e julgadores.


    Ao passar pela peneira da palavra de Cristo, apenas aquele pequeno grupo permaneceu com Ele. Permaneceram porque foram chamados para a Noiva do Cordeiro e para herdar a vida eterna — não para serem estrelas prósperas aqui na terra.


    A Igreja? Perfeita? Nunca foi — porque é composta de pecadores. E mesmo naquele pequeno grupo que permaneceu com Cristo, um deles O traiu.


Todos nós desejamos saúde, prosperidade, paz e conforto. Mas será que somos capazes de dizer hoje:


“Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja vacas, todavia eu me alegrarei no SENHOR, exultarei no Deus da minha salvação.” - Habacuque 3.17–18



De qual grupo você faz parte? Da grande multidão ou da pequena Igreja?


“Mas buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” — Jesus Cristo (Mateus 6.33)




Julio Celestino, Vitória, Espírito Santo

13 de dezembro de 2016 

Romanos 2 - Falsos Moralistas e Judeus sob Julgamento



CAPÍTULO 2 – FALSOS MORALISTAS E JUDEUS SOB JULGAMENTO

         O principal objetivo de Paulo no capítulo 1 é mostrar que os gentios são dignos de condenação. No capítulo 2 ele se volta para os falsos moralistas e judeus, no intuito de provar que tanto os judeus quanto os gentios foram encerrados debaixo da desobediência.

Apontar erros dos outros não gera créditos com Deus se eu praticar aquilo que condeno. Isto é viver hipocritamente, e o julgamento de tais pessoas não são de acordo com a verdade. Ser exigente com os outros e complacente com nós mesmo não nos faz escapar do julgamento de Deus (1-3). Paulo segue afirmando que a graça de Deus nos é concedida para nos levar ao arrependimento. Quem deseja a graça, mas uma graça que não leva ao arrependimento, despreza a graça. (4)

Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus (2.5)

É preciso fazer escolhas segundo a vontade de Deus, perseverando em fazer o bem, mesmo que as circunstâncias façam parecer que ser honesto não é lucrativo pois, a vida não se encerra com a morte. Ou acumulamos e estocamos bons tesouros no céu, ou acumulamos a ira para o dia do julgamento. (5-7)

Porque todos os que sem lei pecaram, sem lei também perecerão; e todos os que sob a lei pecaram, pela lei serão julgados. (2.12)

Segundo Romanos a salvação é pela fé (1.16), mas o julgamento é pelas obras (2.6). Cada um será julgado segundo a luz que lhe foi revelada. Os que pecaram sem lei perecerão sem lei, assim como os que sob a lei pecaram, pela lei serão julgados. (12)
No versículo 13 Paulo é enfático ao dizer que ser somente um ouvinte da lei não poderá ser justificado por ela, mas aquele que cumpre a lei serão justificados. Esta afirmação de Paulo é naturalmente hipotética, uma vez que nenhuma carne é justificada pela lei (3.20).



O TRIBUNAL DO ESPÍRITO SANTO NA CONSCIÊNCIA HUMANA – 2.14-16

         Deus não só revelou sua glória aos gentios através das coisas criadas, mas também instalou nas mentes humanas uma espécie de tribunal onde a nossa consciência nos acusa quando ferimos a lei de Deus ou nos defende proporcionando paz de espírito ao praticar a justiça. Por isso nós sentimos quando praticamos o mal, mesmo sem antes alguém ter dito que tal coisa era má. O versículo 16 me ensina o que costumeiramente me esqueço ao longo dos dias: Chegará o dia que Deus julgará os pensamentos secretos dos homens... Tudo que eu pensei, meus segredos mais ocultos serão revelados, ou seja, exibidos abertamente perante Deus e eu, e o padrão de justiça será o evangelho.



OS JUDEUS E A LEI: A VERDADEIRA CIRCUNCISÃO
OS CRISTÃOS E O EVANGELHO: O VERDADEIRO BATISMO
17-29


ACERCA DA CONDUTA

         Do versículo 17 a diante, Paulo argumenta diretamente contra a posição dos judeus. Os judeus cometiam um erro gravíssimo que era confiar na circuncisão e no fato de serem descendentes de Abraão para a salvação. Eles achavam que pelo fato de serem descendentes de Abraão e circuncidados eles já seriam automaticamente salvos. Além de ser um equívoco, esta conduta resultava em soberba e sentimento de superioridade com relação aos gentios.
Paulo afirma que os judeus eram instruídos na lei e conheciam a vontade de Deus (17,18). Eram completamente convencidos de que eles tinham a verdade e que eram luz do mundo, instrutores de ignorantes e crianças (19,20). O problema dos judeus não era ter conhecimento da verdade de Deus, muito menos ensinar as escrituras para os ignorantes e para as crianças. O grande problema dos judeus era o falso moralismo, ou seja, ensinar e pregar uma coisa que eles não viviam. Diziam que não se deve roubar, mas roubavam; diziam que não se deve adulterar, mas adulteravam; e outras coisas mais. Por esse motivo o nome de Deus era blasfemado entre as nações.
Infelizmente este problema continua; só que na igreja. Muitos que se dizem “cristãos” pregam uma forma de vida que não condiz com sua conduta. Dizem que não se deve roubar, mas não procura pagar as dívidas, dizem que são contra a idolatria, mas idolatram homens, diz que se deve viver em santidade mas nadam na correnteza do mundo.
Na TV e nos jornais impressos, estrelas “evangélicas” mostram seu show em nome de Deus, enganando, prostituindo o evangelho, ensinando heresias incalculáveis sem viver a verdade da palavra de Deus que é a nossa ÚNICA regra de fé e prática. Desta forma, assim como nos tempos do apóstolo, por vossa causa o nome de Deus é blasfemado entre as nações (24).

ACERCA DA CIRCUNCISÃO E BATISMO (25-29)

         A partir do verso 25, Paulo ensina que a circuncisão só é válida para quem pratica a lei de Deus. Esta passagem nos ensina o real objetivo do batismo cristão através de um retrato do passado dos judeus e o triste cenário dos irmãos que acreditam que pelo fato de serem batizado e frequentarem a igreja estarão automaticamente salvos.
É oportuno dizer que assim como havia circuncisão externa e circuncisão do coração, hoje para a igreja existe o batismo nas águas e o batismo com o Espírito Santo. O batismo nas águas é um sacramento exterior que representa a regeneração. Se uma pessoa foi batizada nas águas, mas ainda não foi batizada pelo Espírito Santo, o batismo nas águas só serviu para incluí-la na lista de membros da congregação que ela reúne; porém, só com o batismo nas águas não será apta para Deus incluir seu nome no livro da vida. Resumindo, o batismo representa a regeneração, mas não é a regeneração. A bandeira do Brasil representa o Brasil, mas ela não é o Brasil, e nem pode substituir o Brasil (25-27).

         O capítulo 2 finaliza com a afirmação do apóstolo: [...] judeu não é que o é exteriormente, nem é circuncisão quem o é apenas no exterior. Mas judeu é quem o é no interior, e circuncisão é a do coração, realizada pelo Espírito, não pela letra, cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus.
Aplicando os dois últimos versículos à igreja, ficaria mais ou menos assim: [...] porque não é cristão quem o é exteriormente, nem é regenerado o que é batizado apenas no exterior. Mas cristão é quem o é no interior, e batismo eficaz é do Espírito Santo, cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus.

Em suma, o batismo é um sacramento importante e indispensável, mas apenas o rito não pode garantir a salvação de ninguém, a menos que aceite Jesus Cristo como seu único e suficiente salvador, sendo batizado pelo Espírito Santo e perseverando até o fim com o fruto do Espírito Santo citado em Gálatas 5. Não cometamos o mesmo erro dos judeus. 






Leia também: Romanos 1 - O caminho que o mundo escolheu

O Caminho que o Mundo Escolheu - Romanos 1




Extraído da carta escrita pelo apóstolo Paulo à igreja situada em Roma. Estima-se que tenha sido escrita no inverno de 57-58 d.C, estando Paulo em Corinto, na casa do seu amigo Gaio, ao final de sua terceira viagem missionária aos territórios que margeiam o Mar Egeo e às vésperas de partir para Jerusalém levando a oferta para os crentes pobres (15.22-27). O portador é uma senhora chamada Febe, de Cencréia, subúrbio de Corinto, que estava de saída para Roma (16.1-2).

CAPÍTULO 1 – A CONDENAÇÃO DOS GENTIOS

         Já partindo do versículo 16, eu aprendo com Paulo que o evangelho não é algo que eu deva me envergonhar. Neste caso, eu devo assumi-lo tanto em público quanto no anonimato. O mundo prega a ideia do “faça o que queres e seja feliz”, e por sua vez segue conceitos tortuosos como ideologia de gênero, casamento entre pessoas do mesmo sexo sendo aceito dentro de uma igreja, aborto, material escolar sobre sexualidade gay para crianças de 6 anos de idade (kit gay), carnavais, bebedices, orgias e mais uma gama de conceitos e práticas torpes que são contrárias ao evangelho. O caráter e a justiça de Deus repudiam toda sorte de iniquidade e, ao contrário do sistema filosófico do mundo, o evangelho não é um texto ou conceito meramente intelectual. O evangelho é o poder de Deus para a salvação.

O capítulo 1 da epístola de Romanos é uma revelação do que aconteceu com a humanidade desde o início do seu declínio.
Tribos e sociedades que moram em lugares longínquos onde o evangelho ainda não chegou, como por exemplo os índios antes do descobrimento do Brasil, não são desculpáveis perante Deus por este motivo. 19 Pois o que se pode conhecer sobre Deus é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Os atributos invisíveis de Deus podem ser vistos claramente desde a fundação do mundo; por isto estes homens e mulheres, injustos e impiedosos são indesculpáveis perante Deus (20).

A humanidade cometeu pelo menos 4 erros que foram a causa de sua decadência:

  • 1 – Conheceram a Deus, mas não o glorificaram como tal em suas vidas, antes, seguiram sua própria justiça. (21)
  • 2 – Se encheram de orgulho de suas especulações e filosofia de vida tornando-se loucos. (22)
  • 3 – Substituíram a glória do Deus eterno por imagens de homens e animais. (23)
  •  4 – Trocaram a verdade pela mentira. Adoraram e serviram mais ao homem do que a Deus. (25)



Após a queda de Adão e Eva, o homem não tem livre-arbítrio para escolher ser bom ou mal, como está escrito: não há justo, nem um sequer (3.10). O que nos faz andar na justiça de Deus é o próprio Espírito Santo de Deus (Fl 2.13), sendo assim, Ele mesmo entregou a humanidade aos desejos de seus próprios corações. (24)
O ato de Deus “tirar o pé do freio” e deixar que os gentios fossem guiados pelas concupiscências de seus próprios corações foi um terrível castigo, pois o coração do homem é mal desde sua meninice (Gn 8.21).  Sem freios, homens e mulheres começaram a ter relações sexuais com pessoas do mesmo sexo, construindo assim uma mentalidade condenável (26-28).

O resultado do homem sem Deus desde os tempos de Adão até o século 21 aponta vinte e uma características reprováveis do ser humano pós-queda (29-31):

1.      Injustiça
2.      Malícia
3.      Cobiça
4.      Maldade
5.      Inveja
6.      Homicídio
7.      Discórdia
8.      Engano
9.      Depravação
10. Intromissão
11. Calúnia
12. Inimigos de Deus
13. Insolência
14. Orgulho
15. Arrogância
16. Inventor de males
17. Desobediência aos pais
18. Insensatos
19. Indignos de confiança
20. Sem afeto natural
21. Sem misericórdia


No fim das contas, todos sabem direta ou indiretamente que Deus reprova e condena tais coisas e, mesmo assim, os homens não somente as praticam, mas aprovam os que as fazem (31).

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